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..:: Pescadores de ilusões.
de Rodolpho Gringo de Siqueira.
Férias são aqueles tempos em que, entre outras coisas, tu dorme (tarde) pra carai. São madrugadas e mais madrugadas acordado fazendo sabe-se lá o quê. Numa dessas, resolvi assistir ao filme Os Sonhadores, embora, com o sono que tava, num esperasse ficar acordado, é claro. Mas num é que fiquei? Acho que poucos filmes teriam conseguido a merma coisa. Só que essa aí é uma fita bem nojenta e sebosamente legal, que prendeu minha atenção do início ao fim. Ela mostra vida de dois irmãos, literalmente sonhadores, e um carinha que acaba juntando-se a eles - todos cinéfilos. Mostra uma estória em que a loucura tá sempre presente. Sim, definitivamente a loucura. As personagens vivem de um jeito que muita gente já deve ter sonhado viver. Uma vida em que padrões alheios e olhares tortos não contam. Uma utopia de vida deliciosamente extravagante que se passa no maio de 68. Eram tempos diferentes, em que ainda se acreditava em - ou sonhava-se com - muita coisa. E, ainda que grande parte dessas coisas em que se tinha fé não tivesse lá muito fundamento, ainda havia a vontade por parte das pessoas. Mermo com muito maoísta falseta, como aparece no filme, parecia haver, também, aqueles que realmente sonhavam com algo diferente. Melhor: parecia haver aqueles que lutavam pra isso. No tal Maio, em algumas décadas passadas e até mermo bem nas antigas, as coisas não eram esse marasmo que são hoje. As gerações anteriores à nossa pareciam ter mais coragem e vontade, que nos transformaram no que somos hoje: filhos de revoluções. Filhos e filhas de lutas que parecem ter morrido no exato dia em que nascemos. Que talvez renascerão só com a volta dos sonhadores. Ou dos malucos.
Gringo.
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